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Ainda olhando os trilhos

Há alguns anos eu tinha outro blog pessoal - Olhando os trilhos. Como as coisas da internet nunca se perdem de fato ele continua lá. Durou mais ou menos um mês e durante esse tempo consegui escrever alguns textos de que gosto e muitos que odeio. Entre eles havia alguns textos relacionados a uma discussão boba que acabei tendo com um outro blogueiro e alguns amigos dele. Até hoje não sei bem o que aconteceu, mas o fato é que por causa disso eu acabei parando de escrever. Depois de um tempo, fiz uma limpeza nos textos que odiava, deixei os que gosto e ele ficou lá, assim, congelado no tempo por mais de dez anos.
De lá pra cá, passei a contribuir em outro blog, dos Contantes Contentes, o grupo com o qual conto histórias. Meus textos sobre histórias, geralmente vão pra lá, mas pode ser que acabem aqui também.

Quando resolvi reativar esse blog, não tive como não pensar nos textos que estavam lá meio abandonados no outro e em tudo o que aconteceu naquela época. E me lembrei que entre os textos que acabei deletando havia dois que tratavam do nome do blog. Havia três razões, duas delas irrelevantes agora. Me lembro também que foi justamente um desses textos que acabou me colocando na berlinda da discussão com os outros blogueiros e para a qual eu não estava preparado. Não vale a pena remoer isso, mas vale sim lembrar a principal razão do nome do meu, agora histórico, outro blog.

Quando eu era pequeno, sempre que andava de metrô eu me sentava no banco de um jeito que permitisse olhar os trilhos. E mesmo que fosse o trem que se movimentasse, eu tinha a sensação de que eram os trilhos que se moviam para perto e para longe do trem. E enquanto isso acontecia, minha mente se esvaziava. Era quase uma meditação. Hoje eu quase não faço mais isso. Sempre com um livro na mão ou olhando algum texto no celular, dificilmente consigo perceber o mundo ao meu redor. Tenho saudades daquela época inocente e simples. Olhar os trilhos naquela época ou andar a pé hoje são formas de eu me aproximar de mim mesmo.

O mundo mudou, cresceu pra mim. Eu também cresci, mas tudo o que eu queria era poder encontrar de novo aquele menino, sentar-me ao lado dele e olhar pela janela o rápido movimento dos trilhos.

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